Um professor ateu desafiou seus alunos com esta pergunta:
- Deus fez tudo que existe ?
Um estudante respondeu corajosamente:
- Sim, fez !
- Deus fez tudo, mesmo ?
- Sim, professor - respondeu o jovem.
O professor replicou:
- Se Deus fez todas as coisas, então Deus fez o Mal, pois o Mal existe, e considerando-se que nossas ações são um reflexo de nós mesmos, então Deus é o Mal.
O estudante calou-se diante de tal resposta e o professor, feliz, se vangloriava de haver provado uma vez mais que a Fé era um mito.
Outro estudante levantou sua mão e disse:
- Posso lhe fazer uma pergunta, professor ?
- Sem dúvida - respondeu-lhe o professor.
O jovem ficou de pé e perguntou:
- Professor, o frio existe ?
- Mas que pergunta é essa ? Claro que existe, você por acaso nunca sentiu frio ?
O rapaz respondeu:
- Na verdade, professor, o frio não existe. Segundo as leis da Física, o que consideramos frio, na realidade é ausência de calor. Todo corpo ou objeto pode ser estudado quando tem ou transmite energia, mas é o calor e não o frio que faz com que tal corpo tenha ou transmita energia. O zero absoluto é a ausência total e absoluta de calor, todos os corpos ficam inertes, incapazes de reagir, mas o frio não existe. Criamos esse termo para descrever como nos sentimos quando nos falta o calor.
- E a escuridão, existe ? - continuou o estudante.
O professor respondeu:
- Mas é claro que sim.
O estudante respondeu:
- Novamente o senhor se engana, a escuridão tampouco existe. A escuridão é, na verdade, a ausência de luz. Podemos estudar a luz, mas a escuridão não. O prisma de Newton decompõe a luz branca nas várias cores de que se compõe, com seus diferentes comprimentos de onda. A escuridão não. Um simples raio de luz rasga as trevas e ilumina a superfície que a luz toca. Como se faz para determinar quão escuro está um determinado local do espaço ? Apenas com base na quantidade de luz presente nesse local, não é mesmo ? Escuridão é um termo que o homem criou para descrever o que acontece quando não há luz presente.
Finalmente, o jovem estudante perguntou ao professor:
- Diga, professor, o Mal existe ?
Ele respondeu:
- Claro que existe. Como eu disse no início da aula, vemos roubos, crimes e violência diariamente em todas as partes do mundo, essas coisas são o Mal.
Então o estudante respondeu:
- O Mal não existe, professor, ou ao menos não existe por si só. O Mal é simplesmente a ausência de Deus. É, como nos casos anteriores, um termo que o homem criou para descrever essa ausência de Deus. Deus não criou o Mal. Não é como a Fé ou o Amor, que existem como existe a Luz e o Calor. O Mal resulta de que a humanidade não tenha Deus presente em seus corações. É como o frio que surge quando não há calor, ou a escuridão que acontece quando não há luz.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Como amar
Certo dia um sábio recebeu a visita de um homem que dizia já não amar mais sua esposa. Ele ja estava pesando em separar-se.
O sábio escutou... olhou em seus olhos, disse apenas uma palavra:
- Ame-a
E se calou.
- Mas eu já falei: Nada sinto por ela - disse o homem.
- Ame-a - disse o sabio novamente.
Percebendo o desconforto do homem, depois de algum tempo em silêncio, o sabio explicou:
- Amar é uma decisão, não um sentimento, amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um execício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja perparado porque haverá pragas, secas exessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame o seu par, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire-o e comprenda-o.
Isso é tudo!
Depois disso, o homem voltou pra casa calado e pensativo.
O sábio escutou... olhou em seus olhos, disse apenas uma palavra:
- Ame-a
E se calou.
- Mas eu já falei: Nada sinto por ela - disse o homem.
- Ame-a - disse o sabio novamente.
Percebendo o desconforto do homem, depois de algum tempo em silêncio, o sabio explicou:
- Amar é uma decisão, não um sentimento, amar é dedicação e entrega. Amar é um verbo e o fruto dessa ação é o amor. O amor é um execício de jardinagem: arranque o que faz mal, prepare o terreno, semeie, seja paciente, regue e cuide. Esteja perparado porque haverá pragas, secas exessos de chuvas, mas nem por isso abandone o seu jardim. Ame o seu par, ou seja, aceite-o, valorize-o, respeite-o, dê afeto e ternura, admire-o e comprenda-o.
Isso é tudo!
Depois disso, o homem voltou pra casa calado e pensativo.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Conversando com Deus - Jonas 4
Esse conto se encontra no capítulo 4 do livro de Jonas. A versão utilizada é a Nova Tradução Bruno Ribeiro Corrigida. Boa leitura!
- Por quê? Eu não entendo, Deus. Onde o Senhor está?
O homem andava de um lado para outro com o rosto vermelho de raiva.
- Deus, o Senhor está ouvindo? Fiz exatamente como o Senhor disse: Fui lá, disse áqueles pecadores o que estava para acontecer, e agora o Senhor volta atrás no que havia dito? O Senhor não cumpriu sua parte no trato. Veja só, Deus! Agora eu pareço um idiota! O que as pessoas vão pensar de mim? Que eu sou uma piada! Um charlatão, um perdedor... Eu só quero morrer, Deus, ok? Já que o Senhor não os matou, que tal me deixar morrer em vez disso? Eu estarei melhor morto! Deus? O Senhor esta aí?
Silêncio. Só se ouve o som do cascalho sob as sandálias do homem, seguido pela nuvem de poeira produzida quando ele se deixa cair no solo.
- Deus? Está quente, e eu estou cansado e com sede. Eu gastei o meu precioso tempo pregando aqui em Nínive, e agora pareço um idiota. Eu queria ir, queria? Eu não pedi esse trabalho! Mas o Senhor vai me deixar aqui sozinho? De jeito nenhum! E eu? Eu faço tudo isso para o Senhor, e o que recebo em troca?
Silêncio. Uma pequena planta está crescendo; suas raízes estão se infiltrando no solo.
- Bem, agora sim. Finalmente alguma sombra. Já era tempo de o Senhor fazer algo por mim. Agora se o Senhor pudesse fazer algo pela minha imagem... Minha reputação está péssima!
Silêncio. Só o barulho de um pequeno inseto, subindo na planta e comendo suas folhas.
- Deus, o Senhor acha isso justo? Minha planta se foi e eu estou com mais calor e mais sede ainda do que antes. Eu sigo a Sua vontade. Faço o que o Senhor diz, e como o Senhor me retribui? O Senhor me tranforma num mentiroso e me deixa sofrer no calor. Afinal de contas, que tipo de Deus é o Senhor?
Silêncio. E então Deus fala:
- Como é que você se importa mais consigo mesmo do que com uma cidade cheia de pessoas? Como é que você se importa mais com seu conforto presente do que com o conforto eterno de outros? Como é que você se importa com mais com uma pequena planta do que com uma cidade cheia de pessoas? Afinal de contas, que tipo de profeta é você?
Silêncio. Jonas abaixa a cabeça e chora.
- Por quê? Eu não entendo, Deus. Onde o Senhor está?
O homem andava de um lado para outro com o rosto vermelho de raiva.
- Deus, o Senhor está ouvindo? Fiz exatamente como o Senhor disse: Fui lá, disse áqueles pecadores o que estava para acontecer, e agora o Senhor volta atrás no que havia dito? O Senhor não cumpriu sua parte no trato. Veja só, Deus! Agora eu pareço um idiota! O que as pessoas vão pensar de mim? Que eu sou uma piada! Um charlatão, um perdedor... Eu só quero morrer, Deus, ok? Já que o Senhor não os matou, que tal me deixar morrer em vez disso? Eu estarei melhor morto! Deus? O Senhor esta aí?
Silêncio. Só se ouve o som do cascalho sob as sandálias do homem, seguido pela nuvem de poeira produzida quando ele se deixa cair no solo.
- Deus? Está quente, e eu estou cansado e com sede. Eu gastei o meu precioso tempo pregando aqui em Nínive, e agora pareço um idiota. Eu queria ir, queria? Eu não pedi esse trabalho! Mas o Senhor vai me deixar aqui sozinho? De jeito nenhum! E eu? Eu faço tudo isso para o Senhor, e o que recebo em troca?
Silêncio. Uma pequena planta está crescendo; suas raízes estão se infiltrando no solo.
- Bem, agora sim. Finalmente alguma sombra. Já era tempo de o Senhor fazer algo por mim. Agora se o Senhor pudesse fazer algo pela minha imagem... Minha reputação está péssima!
Silêncio. Só o barulho de um pequeno inseto, subindo na planta e comendo suas folhas.
- Deus, o Senhor acha isso justo? Minha planta se foi e eu estou com mais calor e mais sede ainda do que antes. Eu sigo a Sua vontade. Faço o que o Senhor diz, e como o Senhor me retribui? O Senhor me tranforma num mentiroso e me deixa sofrer no calor. Afinal de contas, que tipo de Deus é o Senhor?
Silêncio. E então Deus fala:
- Como é que você se importa mais consigo mesmo do que com uma cidade cheia de pessoas? Como é que você se importa mais com seu conforto presente do que com o conforto eterno de outros? Como é que você se importa com mais com uma pequena planta do que com uma cidade cheia de pessoas? Afinal de contas, que tipo de profeta é você?
Silêncio. Jonas abaixa a cabeça e chora.
Por que Jesus está demorando tanto?
- Alô. É da agência de viajens?
- É sim. Posso ajudá-lo?
- Acho que sim, não sei. Estive pensando em fazer uma grande viajem, e achei que talvez vocês pudessem me dar alguma informação.
- Certo. Para onde você quer ir?
- Para o Céu.
- Ah, o Céu. Bem, esse destino não tem sido muito procurado ultimamente.
- É, eu sei, mas tenho um lugar marcado num vôo particular.
- Só um minuto, vou verificar... Não, sinto muito, senhor, mas de acordo com nossas informações isso não é possível. Não existem vôos particulares para esse destino. A única maneira de chegar lá é voar pela companhia aérea Unidos.
- Unidos? Você deve estar brincando! Pensei que isso fosse algo exclusivo, entende? Tipo aquelas viajens que você marca com seis meses de antecedência e recebe certos privilégios especiais.
- Essa não é a informação que temos, senhor. Está realmente muito claro; o vôo é aberto ao público em geral.
- Você quer dizer que eu posso acabar me sentando ao lado de alguém que nem conheço?
- Isso mesmo, senhor.
- Vocês não tem nenhuma seção especial?
- Temo que não, senhor.
- E a bagagem? Ouvi dizer que nesse vôo não se pode levar bagagem.
- Acho que não posso confirmar essa informação, senhor. Aliás, nossos arquivos dizem que as pessoas precisam levar a bagagem; pelo menos alguns tipos de bagagem como esperança, amor, caráter... esse tipo de coisa.
- E minhas próprias idéias e teorias? Não gostaria de deixa-lás para trás...
- Nossa informação é que elas excederiam o limite de peso, senhor.
- Bem, então você poderia me informar sobre o horário de partida?
- Só um minuto. Vou verificar... hum, parece que esse vôo foi marcado para decolar algum tempo atrás, mas houve um atraso.
- Eu sei que houve um atraso! É por isso que estou ligando. O que eu quero saber é por que o vôo atrasou.
- Estão esperando por outro passageiro.
- Outro passageiro? Olhe aqui, sou um homem ocupado. Só porque alguém é desorganizado, eu não posso...
- Senhor...
- E vou lhe dizer mais uma coisa: esse pacote não é nada do que eu estava esperando. Não sei se...
- Perdão, senhor...
- O que é?
- Por acaso o seu nome seria Bruno?
- É, meu nome é Bruno. Bruno Ribeiro.
- Bem que imaginei. Em relação ao vôo, senhor...
- Sim?
- Eles estão esperando pelo senhor...
- É sim. Posso ajudá-lo?
- Acho que sim, não sei. Estive pensando em fazer uma grande viajem, e achei que talvez vocês pudessem me dar alguma informação.
- Certo. Para onde você quer ir?
- Para o Céu.
- Ah, o Céu. Bem, esse destino não tem sido muito procurado ultimamente.
- É, eu sei, mas tenho um lugar marcado num vôo particular.
- Só um minuto, vou verificar... Não, sinto muito, senhor, mas de acordo com nossas informações isso não é possível. Não existem vôos particulares para esse destino. A única maneira de chegar lá é voar pela companhia aérea Unidos.
- Unidos? Você deve estar brincando! Pensei que isso fosse algo exclusivo, entende? Tipo aquelas viajens que você marca com seis meses de antecedência e recebe certos privilégios especiais.
- Essa não é a informação que temos, senhor. Está realmente muito claro; o vôo é aberto ao público em geral.
- Você quer dizer que eu posso acabar me sentando ao lado de alguém que nem conheço?
- Isso mesmo, senhor.
- Vocês não tem nenhuma seção especial?
- Temo que não, senhor.
- E a bagagem? Ouvi dizer que nesse vôo não se pode levar bagagem.
- Acho que não posso confirmar essa informação, senhor. Aliás, nossos arquivos dizem que as pessoas precisam levar a bagagem; pelo menos alguns tipos de bagagem como esperança, amor, caráter... esse tipo de coisa.
- E minhas próprias idéias e teorias? Não gostaria de deixa-lás para trás...
- Nossa informação é que elas excederiam o limite de peso, senhor.
- Bem, então você poderia me informar sobre o horário de partida?
- Só um minuto. Vou verificar... hum, parece que esse vôo foi marcado para decolar algum tempo atrás, mas houve um atraso.
- Eu sei que houve um atraso! É por isso que estou ligando. O que eu quero saber é por que o vôo atrasou.
- Estão esperando por outro passageiro.
- Outro passageiro? Olhe aqui, sou um homem ocupado. Só porque alguém é desorganizado, eu não posso...
- Senhor...
- E vou lhe dizer mais uma coisa: esse pacote não é nada do que eu estava esperando. Não sei se...
- Perdão, senhor...
- O que é?
- Por acaso o seu nome seria Bruno?
- É, meu nome é Bruno. Bruno Ribeiro.
- Bem que imaginei. Em relação ao vôo, senhor...
- Sim?
- Eles estão esperando pelo senhor...
PENSE NISSO!
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
Quando Deus criou os ateus
Três anjos quase morreram de rir quando Deus disse que inventaria ou permitiria que nascessem alguns ateus.
- Como assim, ateu, Senhor? – Quis saber um anjo se acabando de rir da graça divina.
- Bem – disse Javé – eles acreditarão que são tão geniais, tão inteligentes e cheios de razão, tão incrivelmente brilhantes, que só podem mesmo ser frutos de uma coincidência.
Ploft! Caem os três anjos desmaiados de tanto gargalhar.
- Podem rir – prosseguiu o Todo-Poderoso – farei os tais ateus sim, para Mim nada é impossível.
- Posso sugerir uma coisa, Senhor – pediu o anjinho menos risonho.
- Diga – disse Ele.
- Os ateus acreditarão que são feitos simplesmente de matéria perecível, mas ao mesmo tempo se verão como o mais magnífico ser que existe, já que sabem dos mistérios últimos da existência e nem perceberão o paradoxo desse raciocínio.
- Gostei, serão paradoxos ambulantes, inclusive culparão o Criador pelas misérias do mundo, afirmarão que absolutamente o absoluto não existe e que é pura verdade que cada um tem sua própria verdade. Ah, suas almas o tempo todo afirmarão que a alma não existe. A negação da própria existência é uma idéia que ocorrerá a alguns deles, o que é natural e nada paradoxal, afinal se Deus não existe, como o homem poderia existir?!
- Como assim, ateu, Senhor? – Quis saber um anjo se acabando de rir da graça divina.
- Bem – disse Javé – eles acreditarão que são tão geniais, tão inteligentes e cheios de razão, tão incrivelmente brilhantes, que só podem mesmo ser frutos de uma coincidência.
Ploft! Caem os três anjos desmaiados de tanto gargalhar.
- Podem rir – prosseguiu o Todo-Poderoso – farei os tais ateus sim, para Mim nada é impossível.
- Posso sugerir uma coisa, Senhor – pediu o anjinho menos risonho.
- Diga – disse Ele.
- Os ateus acreditarão que são feitos simplesmente de matéria perecível, mas ao mesmo tempo se verão como o mais magnífico ser que existe, já que sabem dos mistérios últimos da existência e nem perceberão o paradoxo desse raciocínio.
- Gostei, serão paradoxos ambulantes, inclusive culparão o Criador pelas misérias do mundo, afirmarão que absolutamente o absoluto não existe e que é pura verdade que cada um tem sua própria verdade. Ah, suas almas o tempo todo afirmarão que a alma não existe. A negação da própria existência é uma idéia que ocorrerá a alguns deles, o que é natural e nada paradoxal, afinal se Deus não existe, como o homem poderia existir?!
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Porque comemos os animais?!
Esse conto é legal. Escrevi inspirado numa aula de Teoria da Comunicação I, com o excelente professor Matheus Andrade. Leia e divirta-se:
Ano: 2090
Local: Planeta BR13
Personagem: Marshall McLuhan, viajante espacial almoçando num restaurante de “última geração”.
Abrem-se as cortinas:
Marshall McLuhan chegou às 26h no planeta BR13. O horário não esta errado: talvez você ache estranho por ser do sistema solar. Mas enfim, essas "burocracias cosmológicas" serão deixadas de lado (que o diga a parte inferior ocidental da terra).
Ao chegar, o primeiro pensamento que veio a sua cabeça foi movido pela barriga: faziam 17951321 nanômetros (em linguagem terráquea dá 2 horas) que ele não comia. Os terráqueos possuem três particularidades alimentares, no mínimo, estranhas: 1- comem a cada 1,5 horas (a média da galáxia é de 5 horas); 2- comem rápido nos chamados fast-food (desculpem a redundância, mas eu não resisti à tentação); 3 – comem seres vivos.
Mas enfim, essas burocracias cosmológicas serão deixadas de lado (que o diga a parte inferior ocidental da terra).
Voltando ao texto: McLuhan estava com fome. Procurou um restaurante pra almoçar. Queria provar o que de melhor tinha o planeta BR13. De longe ele viu uma placa luminosa anunciando que “a carne mais macia de todo o universo” era feito ali. Isso o convenceu.
Ao entrar ele foi gentilmente atendido pelo atendente. Depois, o atendente o repassou ao garçom, que o conduziu a sua mesa para almoçar:
- O que o senhor vai querer – pergunta o garçom.
- Quero provar a carne mais macia de todo o universo – respondeu McLuhan.
- Certo, certo – disse o garçom – vou trazer pro senhor pré-aprovar!
- Ok!? – respondeu McLuhan confuso. Ele não tinha entendido o que o garçom queria dizer com “pré-aprovar”.
Talvez fosse alguma outra burocracia cosmológica com que estava acostumado na parte inferior-ocidental da terra (pra quem não se tocou até agora, é o Brasil).
Cinco minutos depois se aproxima uma vaca. Ela tinha uma bela aparência, um pêlo brilhante, chifres engraxados... enfim, parecia com saudável . McLuhan tomou um susto quando viu o mamífero do seu lado. Mais susto ele teve quando a vaca falou:
- Pois não senhor? Em que posso servi-lo?
- Como assim servi-lo? Você fala?
- Todos os animais de BR13 falam e tem sentimentos, senhor! O senhor vai me querer bem passada ou mau passada?
- Isso é estranho... – disse McLuhan sem piscar um olho sequer – e você ainda me pergunta se eu vou te comer?
- Sim! O senhor não entrou aqui porque queria comer a carne mais macia do universo? Então, eu quero lhe garantir que ao longo dos meus anos fui projetada pra isso. Passei por um rigoroso controle de qualidade. Desde bezerro fui preparada para esse momento. Assim que parei de mamar, fui separada da minha mãe. Fui cuidada com a melhor ração, a melhor pastagem, no melhor ambiente... e lhe garanto a minha carne, depois de todos esses anos, está macia e suculenta!
- Eu não estou entendendo mais nada! Vou lhe comer e você está do meu lado antes de morrer?
- Desculpe se lhe assustei, senhor. É que nesse universo cada vez mais globalizado não podemos perder tempo. O senhor não vai se arrepender: aqui no restaurante temos um dos melhores abates da galáxia. A maioria de nos morre da segunda ou terceira paulada na testa.
- Como é a história? Você vai levar uma paulada na testa pra eu te comer?
- Uma não senhor. Somos resistentes: duas ou três mata.
- Eu devo estar sonhando...
- Não senhor, é a realidade. Mas eu lhe asseguro que o senhor não tem do que reclamar. O senhor pode até optar se vai me querer em pedaços, moída, em bifes...
- Eu não estou acreditando que o meio está sendo a mensagem...
- Preciso que o senhor decida: vai querer o peito, o coxão duro, o coxão mole, a picanha, o filé mignon, o músculo dianteiro... algum problema senhor?
- É lógico que eu não vou lhe comer minha filha!
- E porque não?
- Porque isso não existe. Como pode eu está falando com você e lhe comer daqui a alguns minutos?
- Bom, nos aqui já somos acostumadas, senhor. Em todo o universo é assim. Lhe garanto que o senhor não vai se arrepender. Minha coxa traseira com pimentão fica uma delicia...
- Eu vou sair dessa coisa...
- Não senhor! Por favor, se não eu perco meu emprego! Porque o senhor está tão assustado? De que planeta o senhor é?
- Da terra!
- Ué, mas na terra vocês comem animais, certo?
- é, comemos...
- Ahhhhhh, ta! Entendi. A diferença é que lá na terra os animais não falam.
Fecham-se as cortinas.
Ano: 2090
Local: Planeta BR13
Personagem: Marshall McLuhan, viajante espacial almoçando num restaurante de “última geração”.
Abrem-se as cortinas:
Marshall McLuhan chegou às 26h no planeta BR13. O horário não esta errado: talvez você ache estranho por ser do sistema solar. Mas enfim, essas "burocracias cosmológicas" serão deixadas de lado (que o diga a parte inferior ocidental da terra).
Ao chegar, o primeiro pensamento que veio a sua cabeça foi movido pela barriga: faziam 17951321 nanômetros (em linguagem terráquea dá 2 horas) que ele não comia. Os terráqueos possuem três particularidades alimentares, no mínimo, estranhas: 1- comem a cada 1,5 horas (a média da galáxia é de 5 horas); 2- comem rápido nos chamados fast-food (desculpem a redundância, mas eu não resisti à tentação); 3 – comem seres vivos.
Mas enfim, essas burocracias cosmológicas serão deixadas de lado (que o diga a parte inferior ocidental da terra).
Voltando ao texto: McLuhan estava com fome. Procurou um restaurante pra almoçar. Queria provar o que de melhor tinha o planeta BR13. De longe ele viu uma placa luminosa anunciando que “a carne mais macia de todo o universo” era feito ali. Isso o convenceu.
Ao entrar ele foi gentilmente atendido pelo atendente. Depois, o atendente o repassou ao garçom, que o conduziu a sua mesa para almoçar:
- O que o senhor vai querer – pergunta o garçom.
- Quero provar a carne mais macia de todo o universo – respondeu McLuhan.
- Certo, certo – disse o garçom – vou trazer pro senhor pré-aprovar!
- Ok!? – respondeu McLuhan confuso. Ele não tinha entendido o que o garçom queria dizer com “pré-aprovar”.
Talvez fosse alguma outra burocracia cosmológica com que estava acostumado na parte inferior-ocidental da terra (pra quem não se tocou até agora, é o Brasil).
Cinco minutos depois se aproxima uma vaca. Ela tinha uma bela aparência, um pêlo brilhante, chifres engraxados... enfim, parecia com saudável . McLuhan tomou um susto quando viu o mamífero do seu lado. Mais susto ele teve quando a vaca falou:
- Pois não senhor? Em que posso servi-lo?
- Como assim servi-lo? Você fala?
- Todos os animais de BR13 falam e tem sentimentos, senhor! O senhor vai me querer bem passada ou mau passada?
- Isso é estranho... – disse McLuhan sem piscar um olho sequer – e você ainda me pergunta se eu vou te comer?
- Sim! O senhor não entrou aqui porque queria comer a carne mais macia do universo? Então, eu quero lhe garantir que ao longo dos meus anos fui projetada pra isso. Passei por um rigoroso controle de qualidade. Desde bezerro fui preparada para esse momento. Assim que parei de mamar, fui separada da minha mãe. Fui cuidada com a melhor ração, a melhor pastagem, no melhor ambiente... e lhe garanto a minha carne, depois de todos esses anos, está macia e suculenta!
- Eu não estou entendendo mais nada! Vou lhe comer e você está do meu lado antes de morrer?
- Desculpe se lhe assustei, senhor. É que nesse universo cada vez mais globalizado não podemos perder tempo. O senhor não vai se arrepender: aqui no restaurante temos um dos melhores abates da galáxia. A maioria de nos morre da segunda ou terceira paulada na testa.
- Como é a história? Você vai levar uma paulada na testa pra eu te comer?
- Uma não senhor. Somos resistentes: duas ou três mata.
- Eu devo estar sonhando...
- Não senhor, é a realidade. Mas eu lhe asseguro que o senhor não tem do que reclamar. O senhor pode até optar se vai me querer em pedaços, moída, em bifes...
- Eu não estou acreditando que o meio está sendo a mensagem...
- Preciso que o senhor decida: vai querer o peito, o coxão duro, o coxão mole, a picanha, o filé mignon, o músculo dianteiro... algum problema senhor?
- É lógico que eu não vou lhe comer minha filha!
- E porque não?
- Porque isso não existe. Como pode eu está falando com você e lhe comer daqui a alguns minutos?
- Bom, nos aqui já somos acostumadas, senhor. Em todo o universo é assim. Lhe garanto que o senhor não vai se arrepender. Minha coxa traseira com pimentão fica uma delicia...
- Eu vou sair dessa coisa...
- Não senhor! Por favor, se não eu perco meu emprego! Porque o senhor está tão assustado? De que planeta o senhor é?
- Da terra!
- Ué, mas na terra vocês comem animais, certo?
- é, comemos...
- Ahhhhhh, ta! Entendi. A diferença é que lá na terra os animais não falam.
Fecham-se as cortinas.
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